coração do jogador passa por remodelamento para suportar jogos

coração do jogador passa por remodelamento para suportar jogos
Rafael Ribeiro / CBF

Correr, acelerar, desacelerar, mudar de direção e tomar decisões em poucos segundos. Durante uma partida de futebol, o coração dos atletas trabalha em ritmo acelerado para atender às exigências físicas e mentais do jogo. Em competições de alto nível, como a Copa do Mundo, o órgão pode atingir frequências cardíacas próximas do limite máximo do jogador, garantindo o envio de oxigênio e nutrientes para os músculos em atividade.

Além do esforço físico, fatores emocionais como pressão por resultados, disputa por vagas e momentos decisivos também influenciam diretamente o funcionamento cardiovascular dos atletas. O cardiologista Ricardo Cals, do Hospital Santa Lúcia Norte, explica que o jogador de futebol precisa correr longas distâncias, mudar de ritmo e ter explosões de força e velocidade.

“Para dar conta dessa exigência, o coração passa por um remodelamento fisiológico, conhecido como ‘coração do atleta’, que aumenta sua capacidade de bombear sangue e suprir a demanda metabólica do exercício”, ensina.

O coração acelera para sustentar o desempenho

Durante uma partida, o organismo aumenta a demanda por oxigênio e energia. Para atender essa necessidade, o coração bombeia mais sangue para os músculos, elevando a frequência cardíaca ao longo do jogo.

Segundo o cardiologista Alexandre Abla, do Hcor, em São Paulo, o aumento dos batimentos ocorre não apenas pelo esforço físico, mas também pelas exigências psicológicas da competição.

“As demandas emocionais do esporte podem elevar a frequência cardíaca de forma substancial e imprevisível, especialmente em jogos de alta pressão”, afirma.

Em atletas profissionais, essa resposta é esperada e faz parte da adaptação ao exercício. Ainda assim, a intensidade da atividade exige acompanhamento médico constante para garantir que o sistema cardiovascular esteja preparado para suportar a carga de esforço.

Pênaltis e momentos decisivos aumentam o estresse cardiovascular

Se o ritmo intenso já exige muito do organismo, situações de tensão extrema podem fazer o coração trabalhar ainda mais. Cobranças de pênaltis, finais de campeonato e partidas eliminatórias provocam uma descarga adicional de adrenalina e outros hormônios ligados ao estresse.

De acordo com o cardiologista Ernesto Joscelin, do Hospital Brasília, essas substâncias fazem a frequência cardíaca aumentar rapidamente e elevam também a pressão arterial.

“Momentos de grande apreensão, como pênaltis e prorrogações, provocam uma resposta intensa do organismo, com aumento dos hormônios do estresse e aceleração dos batimentos”, diz.

Mesmo entre atletas altamente treinados, essas alterações fazem parte da resposta natural do corpo diante de situações de pressão e competitividade.

Quando o coração dá sinais de alerta

Embora o futebol seja um esporte seguro para atletas que passam por avaliações médicas regulares, alguns sintomas durante treinos ou partidas merecem atenção. Dor no peito, falta de ar desproporcional ao esforço, palpitações persistentes, tontura e episódios de desmaio devem ser investigados imediatamente.

Especialistas destacam que exames cardiológicos periódicos são fundamentais para identificar alterações que poderiam aumentar o risco de complicações durante a prática esportiva. A prevenção é especialmente importante em modalidades de alta intensidade, nas quais o coração permanece sob grande demanda durante boa parte da partida.

Por trás de cada esforço explosivo e de curta duração, disputa de bola e ataque ao gol existe um trabalho silencioso realizado pelo coração. É ele quem garante que os atletas consigam manter o desempenho físico e mental necessário para enfrentar os desafios dos 90 minutos em campo.