Caso Geovane: Júri Popular Começa Nesta Quarta (17) Com PMs Réus Por Esquartejar Jovem Há 12 Anos

Caso Geovane: Júri Popular Começa Nesta Quarta (17) Com PMs Réus Por Esquartejar Jovem Há 12 Anos

Quase 12 anos após o crime, os sete policiais militares acusados pela morte, decapitação e ocultação de cadáver do jovem Geovane Mascarenhas de Santana vão a júri popular nesta quarta-feira (17). O julgamento histórico está marcado para as 8h, no Fórum Ruy Barbosa, e será conduzido pela 1ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Salvador, sob a presidência da juíza Gelzi Maria Almeida Souza Matos.

De acordo com o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), a sessão ocorre após a negativa de um pedido de adiamento feito pela defesa de quatro dos réus, que alegava a necessidade de mais tempo para analisar pareceres técnicos da acusação. Anteriormente, o júri já havia sido postergado para que os advogados tivessem acesso a documentos antigos que tramitavam em meio físico, uma medida adotada pela Justiça para evitar futuras nulidades no processo.

No banco dos réus estão o subtenente Cláudio Bonfim Borges; o sargento Daniel Pereira de Souza Santos; os soldados Roberto Santos de Oliveira, Alan Moraes Galiza dos Santos e Alex Santos Caetano; além do ex-soldado Jesimiel da Silva Resende. Todos respondem por homicídio qualificado, sequestro, roubo (já que a moto e o celular da vítima sumiram), ocultação de cadáver e formação de quadrilha. O soldado Jailson Gomes Oliveira também será julgado pelos mesmos crimes, com exceção da ocultação de cadáver.

O crime aconteceu no dia 2 de agosto de 2014. Geovane, que tinha 22 anos, desapareceu após ser abordado por uma guarnição das Rondas Especiais (Rondesp) BTS na região da Calçada. Câmeras de segurança registraram o momento em que o jovem foi colocado na viatura. Nos dias seguintes, os restos mortais da vítima foram localizados com sinais de queimaduras e decapitação em Campinas de Pirajá e no Parque São Bartolomeu.

O caso ganhou enorme repercussão nacional a partir da saga do pai de Geovane, Jurandy Silva, que percorreu hospitais, delegacias e institutos legais atrás do paradeiro do filho. A cobertura jornalística da época deu origem ao documentário “Sem Descanso”, exibido em festivais internacionais e que lotou exibições em Salvador.

O julgamento faz parte de um esforço institucional do Judiciário baiano para acelerar processos de crimes dolosos contra a vida. A pauta está inserida na 3ª edição do projeto “TJBA Mais Júri”, instituído por decreto para reduzir o acervo de ações antigas pendentes de resolução no estado.