Ilhéus e Itabuna no centro do crescimento do Sul da Bahia



Após quatro dias de efervescência carnavalesca, definidos pelo prefeito Augusto Castro como “o melhor carnaval antecipado do Brasil”, Itabuna comprovou que realmente “sabe fazer festa”, como afirmou o governador Jerônimo Rodrigues durante o Ita Pedro 2025, e que “precisou se movimentar”, como pontuou o prefeito Valderico Júnior após a Virada Ilhéus 2026.

Atrações de peso levaram alegria e mobilizaram não apenas o público itabunense, mas toda a região. Pessoas de diversas cidades, papas jacas e, também, muitos papas caranguejos, se reuniram em um circuito bem estruturado, que apresentou a maior grade cultural da história de Itabuna, marcada por forte sensação de segurança, com presença efetiva e atuação integrada das forças policiais.

O fato é que o Sul da Bahia vive um período de destaque no calendário de eventos de grande porte, com atrações de alcance nacional e internacional. Esse cenário convida à reflexão sobre o momento que a região experimenta: primeiro, com milhares de pessoas celebrando a chegada de um novo ciclo em Ilhéus; agora, com Itabuna reafirmando sua força como cidade de festa, desenvolvimento e encontro de multidões.

Durante décadas, Ilhéus e Itabuna foram comparadas sob uma lógica de competição e rivalidade que atravessou gerações. No entanto, as obras estruturantes em fase final de entrega pelo Governo do Estado da Bahia apontam para um novo capítulo dessa relação. O novo sistema viário da BA-649, com 18 quilômetros ao longo da margem do Rio Cachoeira, quatro pontes e um viaduto, além da duplicação da BA-963, com 2,3 quilômetros de acesso, e mais 5,1 quilômetros do entroncamento da BA-693 até Itabuna, vão além de ganhos em mobilidade, trafegabilidade e expansão urbana para cerca de 500 mil pessoas da região. Revelam, sobretudo, uma oportunidade histórica.

Estamos diante do reconhecimento de Ilhéus e Itabuna como cidades co-irmãs, unidas não apenas por estruturas de concreto, mas pela força social e econômica de uma mesma região. O que se vivencia hoje supera a integração urbana material. Expressa, na verdade, a integração da comunidade existente entre os dois municípios, que naturalmente se desenvolve e se perfaz diante do novo momento entre papas caranguejos e papas jacas.

Itabuna, sob a gestão do prefeito reeleito Augusto Castro (PSD), alinhado ao governador Jerônimo Rodrigues (PT), e Ilhéus, sob a condução do prefeito Valderico Júnior (União Brasil), aliado de ACM Neto e em campo político distinto do governo estadual, demonstram que, independentemente das diferenças partidárias, a população do Sul da Bahia só tem a ganhar com políticas públicas voltadas à infraestrutura, ao desenvolvimento urbano, à cultura e ao turismo.

Ao fortalecer a cadeia produtiva, impulsionar o comércio, gerar renda e promover impacto econômico, iniciativas públicas como as realizadas em Ilhéus e Itabuna, somadas às obras estruturantes do governo baiano, contribuem para promover o Sul da Bahia como um destino acolhedor, seguro e potencialmente aberto para vivenciar novos ciclos de crescimento e prosperidade.

O desafio, ou talvez a grande oportunidade, para ilheenses e itabunenses, como gente da comunidade do Sul da Bahia, não está na comparação, mas na capacidade de mobilizar os entes governamentais, sejam municipais, estaduais ou federais, para a manutenção de políticas públicas estruturantes e contínuas. Afinal, o Sul da Bahia não é apenas um celeiro de belezas naturais e expressivo contingente eleitoral; é, sobretudo, um território de gente que quer crescer, ser acolhida para também acolher.

A atmosfera de rivalidade entre Ilhéus e Itabuna tem ingredientes concretos para começar a se dissipar e a perder sentido à medida que, além de pontes e viadutos, constrói-se uma consciência coletiva de pertencimento a uma única região. Uma região que cresce junto, que se movimenta e que pode influenciar seus atores políticos a valorizar mais aquilo que une do que o que separa.

A mentalidade do desenvolvimento regional passa, necessariamente, pela autoimagem de seus próprios cidadãos: perceber-se como parte de um território rico, integrado e pulsante. Um lugar de gente que cria festas, constrói pontes, atravessa viadutos simbólicos e reais, e se organiza para impulsionar o Sul da Bahia como uma região atraente, pujante e desenvolvida, para as gerações presentes e futuras, o ano inteiro, todos os anos.