OS OLHOS SÃO INÚTEIS QUANDO A MENTE É CEGA

Vivemos em uma era de excesso de informação e escassez de discernimento. Nunca se viu tanto — e, ao mesmo tempo, tão pouco se compreendeu. É nesse contexto que a frase do escritor irlandês do século XIX, Oscar Wilde, se torna mais atual do que nunca:
“Os olhos são inúteis quando a mente é cega.”
A cegueira aqui não é física — é intelectual, emocional e, muitas vezes, moral. Trata-se da incapacidade de perceber o que está além das aparências, de questionar narrativas prontas, de enxergar a realidade sem os filtros da manipulação, da conveniência ou da ignorância.
Não se trata de “vista preguiçosa” (ambliopia), mas de algo muito mais grave: a recusa — consciente ou não — de pensar. É a mente que não se exercita, que não analisa, que não confronta informações. É o olhar que vê, mas não enxerga.
Em tempos de polarização política, discursos religiosos distorcidos, relações superficiais e excesso de opiniões rasas, torna-se urgente desenvolver uma visão crítica. É preciso aprender a ler além das linhas, interpretar os fatos com profundidade e filtrar o que chega até nós com responsabilidade.
“Todos fecham os olhos quando morrem, mas nem todos enxergam quando estão vivos.” (Dr. Augusto Cury).
A verdadeira visão exige esforço. Exige sair da zona de conforto, abandonar certezas prontas e encarar a realidade com maturidade. Exige, sobretudo, humildade para reconhecer que nem sempre estamos certos.
“Abre tu os meus olhos, para que veja as maravilhas da tua lei.”
(Salmo 119:18)
Há forças — sociais, políticas e ideológicas — que se beneficiam de mentes cegas. Quanto menos uma pessoa questiona, mais facilmente ela é conduzida.
“[…] o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos […]”
(2 Coríntios 4:4)
Por isso, desenvolver discernimento não é apenas uma virtude — é uma necessidade. É um ato de responsabilidade consigo mesmo e com a sociedade.
“É possível enganar algumas pessoas todo o tempo; é também possível enganar todas as pessoas por algum tempo; o que não é possível é enganar todas as pessoas todo o tempo.” (Abraham Lincoln)
Diante disso, é fundamental cultivar o senso crítico. Observe, analise, questione. Não aceite tudo de forma automática. Nem tudo o que parece verdadeiro, de fato é.
Mas atenção: buscar a verdade não é tentar provar que você está certo — é estar disposto a descobrir o que é certo, mesmo que isso contrarie suas próprias convicções.
No fim, a maior prisão não é a falta de visão — é a recusa em enxergar.
“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.”
(João 8:32)
Pense nisso.

Por: Robérico Silva de Oliveira – Teólogo, Gestor em Teologia, Psicanalista Clínico, pós-graduado em Psicologia Clínica, graduado em Administração, pós-graduado em Ciências Políticas.

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