Tecnologia para arritmia ajuda aposentada a retomar rotina

Tecnologia para arritmia ajuda aposentada a retomar rotina
Arquivo pessoal

A aposentada Maria Aparecida Ferreira, 76, levava uma rotina tranquila quando começou a enfrentar episódios inesperados de aceleração dos batimentos cardíacos. As crises surgiam sem aviso, em momentos comuns do dia, dentro de casa, e deram início a um acompanhamento médico que se estenderia por anos.

O diagnóstico foi de fibrilação atrial, a arritmia cardíaca sustentada mais comum no mundo. Estima-se que cerca de 900 mil brasileiros acima dos 40 anos convivam com a condição, que pode aumentar o risco de complicações graves, como acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca.

Inicialmente, Maria conseguiu controlar a doença com medicamentos e acompanhamento regular. A primeira crise aconteceu no início de 2019, quando ela tinha 70 anos. Um novo episódio foi registrado em janeiro de 2020, mas a arritmia permaneceu controlada nos anos seguintes.

Em abril de 2025, porém, uma nova crise levou os médicos a reavaliarem o tratamento. Em um dos episódios, os batimentos chegaram a 160 por minuto, fazendo com que a aposentada procurasse atendimento de emergência.

Foi a partir da recorrência das crises que os médicos passaram a considerar uma alternativa mais duradoura para controlar a arritmia: a ablação.

“Eu tinha muito medo de fazer a ablação, mas hoje penso que, se soubesse como seria, teria feito antes. Não senti dor, a recuperação foi muito rápida e, desde então, não tive mais crises”, conta.

O que é a fibrilação atrial?

A fibrilação atrial ocorre quando os átrios, câmaras superiores do coração, passam a bater de forma desorganizada. O problema pode provocar palpitações, falta de ar, cansaço e redução da capacidade para atividades do dia a dia.

Segundo o cardiologista Tamer El Andere, membro da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac), a doença nem sempre provoca sintomas evidentes.

“Os pacientes podem ser totalmente assintomáticos ou apresentar sintomas frequentes e limitantes relacionados ao aumento da frequência cardíaca e à irregularidade dos batimentos”, explica.

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De acordo com o especialista, a condição é mais comum em idosos e em pessoas com fatores de risco cardiovasculares, como hipertensão, diabetes, obesidade e insuficiência cardíaca. Tabagismo, consumo excessivo de álcool, sono inadequado e estresse também podem favorecer o surgimento das crises.

Além dos sintomas, a preocupação envolve o risco de formação de coágulos dentro do coração: eles podem se desprender e causar um AVC.

“Às vezes, a primeira manifestação da doença pode ser um AVC. Por isso, o diagnóstico e o acompanhamento são tão importantes”, afirma o médico.

Tecnologia usada no caso da aposentada

Com a recorrência das crises, os médicos indicaram que Maria realizasse uma ablação cardíaca, procedimento minimamente invasivo que busca interromper os sinais elétricos anormais responsáveis pela arritmia. No caso dela, foi utilizada a tecnologia Farapulse, sistema de ablação por campo pulsado desenvolvido para tratar pacientes com fibrilação atrial.

O procedimento é realizado por meio de cateter introduzido por uma veia da perna até o coração. A técnica utiliza pulsos elétricos de alta intensidade para atingir de forma seletiva as áreas responsáveis pela fibrilação atrial.

Diferente dos métodos tradicionais, que utilizam calor ou frio para eliminar o tecido cardíaco que desencadeia a arritmia, a nova abordagem atua sem recorrer à energia térmica. Segundo El Andere, isso permite uma atuação mais direcionada no tecido cardíaco.

“O tratamento da fibrilação atrial evoluiu muito nos últimos anos e a ablação por campo pulsado faz parte dessa transformação. Além de permitir uma atuação mais seletiva no tecido cardíaco, a tecnologia contribui para procedimentos mais eficientes e com um perfil de segurança bastante favorável”, afirma.

O especialista explica que a ablação costuma ser considerada quando os episódios se tornam recorrentes ou passam a comprometer a qualidade de vida do paciente. “A ablação por cateter é atualmente a forma mais eficaz de controle da fibrilação atrial quando comparada apenas ao tratamento medicamentoso”, diz.

Volta à rotina

Maria realizou o procedimento há cerca de um ano. Desde então, não voltou a apresentar crises de arritmia. Os exames mais recentes mostraram resultados dentro da normalidade e, poucos meses após a intervenção, ela também deixou de usar um dos medicamentos que tomava para controlar os batimentos cardíacos.

“Depois do procedimento, não senti mais nada. Me sinto super segura e sigo apenas com as consultas de rotina”, afirma.

Hoje, a aposentada voltou a fazer viagens, encontrar amigos e manter as atividades que fazem parte do seu cotidiano sem a preocupação constante de uma nova crise. “Voltei a viajar tranquila, sem medo, e me sinto muito bem”, finaliza.