Pesquisadores da Universidade de Calgary, no Canadá, estão investigando se altas doses de vitamina B3 podem ajudar no tratamento do glioblastoma, um dos tipos mais agressivos e letais de câncer cerebral. Os primeiros resultados do estudo clínico indicam que a estratégia pode aumentar o tempo sem progressão da doença quando combinada aos tratamentos convencionais.
Também conhecida como niacina, a vitamina B3 está sendo avaliada como complemento à cirurgia, radioterapia e quimioterapia, que atualmente formam a base do tratamento contra o glioblastoma.
Apesar dessas abordagens, o tumor costuma voltar mesmo após o tratamento. Os resultados iniciais foram publicados no Journal of Neuro-Oncology em novembro de 2025.
Como a vitamina pode agir
A pesquisa é liderada por especialistas da Universidade de Calgary que investigam a relação entre o sistema imunológico e o câncer cerebral.
Segundo os pesquisadores, o glioblastoma consegue enfraquecer as células de defesa do organismo, reduzindo sua capacidade de combater o tumor. A hipótese é que a niacina ajude a restaurar parte dessa função.
Em estudos anteriores realizados com camundongos, a vitamina aumentou a sobrevida dos animais. Os resultados levaram ao início dos testes em humanos.
“O tratamento com niacina rejuvenesce as células imunológicas para que elas possam fazer o que devem fazer: atacar e destruir as células cancerígenas”, afirmou o neurocientista Wee Yong, um dos responsáveis pelo estudo, em comunicado.
Resultados iniciais
Até o momento, 24 pacientes participaram da pesquisa. O objetivo principal era avaliar a segurança do tratamento e verificar se a adição da vitamina poderia melhorar os resultados obtidos com as terapias tradicionais.
Após seis meses de acompanhamento, 82% dos participantes não apresentavam sinais de progressão da doença. Segundo os pesquisadores, o índice representa uma melhora de 28% em comparação com resultados observados em estudos anteriores.
Os cientistas consideram os dados encorajadores, especialmente porque o glioblastoma continua sendo um dos cânceres mais difíceis de tratar.
“O glioblastoma é o câncer cerebral mais agressivo em adultos. A sobrevida dos pacientes não mudou significativamente nos últimos 20 anos”, afirmou a oncologista Gloria Roldan Urgoiti, que também coordena a pesquisa.
Estudo ainda está em andamento
Apesar dos resultados iniciais, os pesquisadores destacam que ainda é cedo para concluir que a vitamina B3 seja eficaz contra o glioblastoma.
O estudo continua recrutando participantes e a expectativa é incluir 48 pacientes até o fim de 2026 ou início de 2027. Só então será possível realizar uma análise mais completa sobre os benefícios da estratégia.
A equipe também alerta que altas doses de vitaminas podem causar efeitos adversos e não devem ser utilizadas sem acompanhamento médico.
Por enquanto, segundo os autores, os resultados indicam que a niacina pode se tornar uma ferramenta adicional no tratamento do glioblastoma, mas sua eficácia ainda precisa ser confirmada em pesquisas maiores.


































