Vacinas são estratégia de saúde comprovada e não causam doenças

Vacinas são estratégia de saúde comprovada e não causam doenças
Freepik

A relação entre vacinação e o surgimento de doenças voltou ao centro dos debates nos últimos anos, impulsionada pela circulação de informações falsas nas redes sociais. Apesar da preocupação de parte da população, especialistas são categóricos: não existem evidências científicas que relacionem vacinas utilizadas nos programas de imunização com o aumento do risco de desenvolvimento de doenças crônicas, neurológicas ou autoimunes.

É o contrário: a vacinação é considerada uma das estratégias de saúde pública mais importantes da história, responsável por controlar e até erradicar doenças que causaram milhões de mortes ao longo das décadas. O funcionamento das vacinas se baseia justamente em preparar o organismo para reconhecer e combater vírus e bactérias antes que eles provoquem infecções graves.

Vacinação estimula proteção, não doença

As vacinas atuam treinando o sistema imunológico para responder de forma rápida e eficiente quando ele entra em contato com um agente infeccioso. O processo envolve a produção de anticorpos e outros mecanismos de defesa que ajudam a evitar a doença ou reduzir sua gravidade.

Segundo a pneumopediatria Mônica Levi, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), algumas vacinas podem provocar manifestações leves semelhantes aos sintomas da doença contra a qual protegem, especialmente aquelas produzidas com vírus vivos atenuados. No entanto, essas reações são esperadas e incomparavelmente menos graves do que a infecção natural.

“As vacinas foram desenvolvidas para salvar vidas e proteger contra doenças, não para causá-las”, afirma.

A especialista explica que a redução da circulação de diversas enfermidades fez com que parte da população deixasse de conviver com os riscos reais das doenças. Sem conhecê-las, aumentou a preocupação com possíveis eventos adversos, que são mais comuns.

“Quando as pessoas deixam de ver as doenças, passam a temer mais os eventos adversos do que as consequências que a vacinação evita”, destaca.

Segurança é monitorada continuamente

A segurança da vacinação é acompanhada por sistemas rigorosos de vigilância antes e depois da aprovação dos imunizantes. No Brasil, esse processo envolve profissionais de saúde, órgãos reguladores, laboratórios e sistemas de notificação que investigam qualquer evento suspeito associado às vacinas.

De acordo com a infectologista Tânia Petraglia, do Comitê de Imunizações da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), os estudos realizados em diferentes países apontam um perfil de segurança altamente favorável para os imunizantes utilizados atualmente.

“Não existem evidências científicas robustas que demonstrem que as vacinas aumentem o risco de doenças crônicas, neurológicas ou autoimunes”, afirma.

Outra questão é que muitos problemas de saúde surgem naturalmente em fases da vida que coincidem com o período de vacinação, gerando associações equivocadas entre os dois acontecimentos. “Uma coincidência temporal não significa que exista relação de causa e efeito entre a vacinação e o aparecimento de uma doença”, ressalta Tânia.

Segundo ela, os eventos adversos mais comuns costumam ser leves, como dor no local da aplicação, febre ou dor de cabeça, desaparecendo espontaneamente em poucos dias.

Queda da vacinação pode favorecer retorno de doenças

Enquanto falsas informações sobre vacinas continuam circulando, especialistas alertam para um risco real: a redução das coberturas vacinais. Quando menos pessoas se vacinam, diminui a proteção coletiva que impede a circulação de vírus e bactérias na comunidade.

Esse cenário pode favorecer o retorno de doenças já controladas ou eliminadas no país, como o sarampo. A proteção coletiva funciona como uma barreira que dificulta a transmissão dos agentes infecciosos, protegendo inclusive pessoas que não podem receber vacinas por motivos médicos.

Dados acumulados ao longo de décadas e bilhões de doses aplicadas em todo o mundo sustentam a eficácia e a segurança da vacinação. Para os especialistas, combater a desinformação e ampliar o acesso aos imunizantes são medidas fundamentais para manter doenças sob controle e preservar conquistas históricas da saúde pública.

A orientação é buscar informações em fontes confiáveis e conversar com profissionais de saúde sempre que surgirem dúvidas sobre vacinação, garantindo decisões baseadas em evidências científicas e não em informações sem comprovação.