Dados divulgados nesta quarta-feira (17) pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil mostram que o avanço da inadimplência no país também atinge o Nordeste, onde o número de consumidores com contas em atraso cresceu 6,04% em maio na comparação anual.
Embora o ritmo de crescimento seja inferior ao de outras regiões, o cenário segue pressionado pelo custo de vida elevado e pela renda comprometida das famílias. No país, são 75,06 milhões de pessoas inadimplentes, o equivalente a 44,80% da população adulta.
Na região Nordeste, o aumento das dívidas ocorre em um contexto de maior vulnerabilidade econômica, com impacto direto no consumo e no comércio local. O período de junho, tradicionalmente aquecido por eventos como festas juninas e o Dia dos Namorados, acende um alerta para o risco de endividamento ainda maior.
De acordo com as entidades, o crescimento da inadimplência está ligado à dificuldade de reorganização financeira, mesmo após programas de renegociação de dívidas. Muitos consumidores conseguiram quitar parte dos débitos, mas seguem com pendências ou voltaram a atrasar novos compromissos.
O perfil dos devedores acompanha a tendência nacional, com maior concentração na faixa entre 30 e 39 anos. Em média, cada consumidor negativado deve cerca de R$ 5,1 mil e mantém débitos com mais de duas empresas.
Outro dado que chama atenção é o valor das dívidas. Quase 30% dos consumidores possuem pendências de até R$ 500, percentual que ultrapassa 40% quando consideradas dívidas de até R$ 1 mil, o que indica um alto volume de pequenos débitos acumulados.
Entre os tipos de credores, bancos concentram a maior parte das dívidas, seguidos por contas básicas, como água e energia, que tiveram um dos maiores crescimentos no período. Esse dado reforça o impacto direto do custo de serviços essenciais no orçamento das famílias nordestinas.
Apesar do aumento mais moderado no número de inadimplentes, o volume de dívidas na região também avançou, refletindo um cenário de crédito mais pressionado e menor capacidade de pagamento.
Para o setor lojista, a combinação entre estímulo ao consumo e fragilidade financeira exige cautela. A expectativa é de que o comportamento de compra siga impactado nas próximas semanas, especialmente em regiões onde a renda já enfrenta maiores limitações, como no Nordeste.


































