“Pode Comprometer A Força E O Metabolismo”, Alerta Nutricionista Sobre Jejum Prolongado Após Internação De Influenciadora

"Pode Comprometer A Força E O Metabolismo", Alerta Nutricionista Sobre Jejum Prolongado Após Internação De Influenciadora

Por Mirian Silva

A internação da influenciadora digital Joana Cabral após passar mal durante um jejum intermitente de 60 horas reacendeu o debate sobre os riscos de dietas restritivas e protocolos alimentares realizados sem acompanhamento profissional. Ela relatou episódios de hipoglicemia e pressão baixa, sendo encaminhada para atendimento médico e hospitalizada para investigação do quadro.

Diante da repercussão, o Portal Taktá ouviu a nutricionista esportiva, Mayssa de Castro, que chamou atenção para os riscos associados ao jejum prolongado e reforçou que a prática não deve ser feita sem avaliação individual.

Um dos principais pontos de alerta, segundo ela, é a hipoglicemia, condição causada pela queda brusca dos níveis de açúcar no sangue.

“Um dos principais pontos que observo no consultório é a questão da hipoglicemia. E o que isso significa? É a queda brusca do açúcar no sangue. Ela pode provocar tontura, fraqueza, dificuldade na concentração e, em casos mais graves, até desmaios”, explica.

Outro efeito comum em jejuns prolongados é a perda de massa muscular. Nesse cenário, o organismo passa a utilizar proteínas do próprio músculo como fonte de energia.

“Quando o corpo fica sem energia disponível por um tempo excessivo, ele começa a utilizar proteína muscular como combustível, o que compromete a força e o metabolismo a longo prazo”, afirma.

A nutricionista também destaca que as consequências não são apenas energéticas ou musculares. O jejum prolongado pode causar desequilíbrios importantes de minerais essenciais ao funcionamento do organismo.

“Pode causar alterações no nível de sódio, potássio e magnésio, que são minerais essenciais para o funcionamento do coração e do sistema nervoso”, pontua.

O impacto pode atingir ainda o sistema hormonal, com possíveis alterações em diferentes funções do corpo.

“Pode provocar distúrbios hormonais, como elevação do cortisol, alterações na tireoide e, em mulheres, irregularidade no ciclo menstrual”, alerta.

Além dos efeitos físicos, também há preocupação com a saúde emocional e o comportamento alimentar. Segundo ela, restrições prolongadas podem desencadear uma relação prejudicial com a comida.

“Essa questão da restrição prolongada pode desencadear compulsão alimentar e acabar desenvolvendo uma relação disfuncional com a comida”, diz.

Mayssa reforça que o primeiro passo para quem deseja adotar o jejum intermitente é a avaliação profissional, já que cada organismo reage de forma diferente.

“O primeiro passo é buscar a ajuda de um nutricionista e de uma equipe multidisciplinar, porque cada organismo tem necessidades específicas. O profissional vai avaliar se o jejum é adequado naquele momento ou não”, orienta.

Durante as janelas de alimentação, a atenção deve estar na qualidade da dieta, e não apenas no horário das refeições.

“É fundamental manter uma dieta equilibrada e nutritiva, garantindo proteínas, gorduras boas, carboidratos complexos, vitaminas e minerais. A qualidade do que se come importa tanto quanto o horário em que você come”, destaca.

A hidratação também é apontada como fator essencial, especialmente em protocolos mais longos.

“Manter a hidratação é outro cuidado essencial. Água, chá sem açúcar e, quando necessário, água com eletrólitos são aliados importantes”, diz.

Para quem pretende começar, a orientação é não avançar de forma brusca, respeitando a adaptação do corpo.

“É recomendado começar de forma gradual, iniciando com janelas menores, como 12 horas, e ir ampliando progressivamente conforme o corpo se adapta”, explica.

Por fim, ela lembra que sinais do organismo não devem ser ignorados durante o processo.

“Se houver tontura intensa, fraqueza excessiva, palpitações ou irritabilidade, o jejum deve ser interrompido imediatamente”, alerta.

E reforça que o jejum intermitente não substitui hábitos básicos de saúde.

“O jejum não substitui outros hábitos saudáveis. Sono de qualidade, atividade física regular e controle do estresse são fundamentais para resultados duradouros”, conclui.