Bronquiolite: Aumento De Casos Acende Alerta Na Rede De Saúde

Bronquiolite: Aumento De Casos Acende Alerta Na Rede De Saúde

Por Cíntia Santos

O aumento dos casos de bronquiolite e outras viroses respiratórias já pressiona hospitais e emergências pediátricas na Bahia. Segundo a pediatra Caroline Vilas Boas, o crescimento da procura por atendimento começou no fim de abril e se intensificou nas últimas semanas, especialmente entre bebês e crianças pequenas.

“Nas últimas duas semanas o aumento foi importante dos casos de doenças respiratórias, principalmente bronquiolite”, afirmou.

A bronquiolite é uma infecção que afeta as pequenas vias aéreas dos pulmões e tem maior incidência em bebês. Os principais sintomas são tosse, coriza e aumento da frequência respiratória, podendo evoluir para insuficiência respiratória nos casos mais graves.

Dados da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) mostram que as crianças pequenas concentram a maior parte dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) registrados em 2026. Até a Semana Epidemiológica 21, encerrada em 31 de maio, o estado contabilizou 4.679 casos de SRAG. Desse total, 1.451 ocorreram em menores de 1 ano e outros 1.289 em crianças de 1 a 4 anos.

De acordo com a pediatra, os quadros leves costumam apresentar apenas tosse, secreção nasal e febre baixa, com melhora após lavagem nasal. Já os sinais de gravidade exigem atendimento médico imediato. “O aumento da frequência respiratória, retração das costelas quando o bebê respira, dificuldade para mamar, redução da diurese, sonolência ou ficar roxinho são sinais de alerta”, explicou.

Os bebês menores de seis meses e os prematuros estão entre os grupos com maior risco de agravamento e necessidade de internação.

Embora diferentes vírus possam causar bronquiolite, Caroline destaca que os casos mais graves continuam associados ao Vírus Sincicial Respiratório (VSR). O cenário acompanha os dados da vigilância epidemiológica estadual. Segundo a Sesab, o VSR foi identificado em 765 amostras positivas para vírus respiratórios neste ano, sendo um dos principais agentes em circulação.

A especialista também chama atenção para a pressão sobre a rede de atendimento infantil. “Hospitais estão recebendo alta demanda, principalmente dos casos de viroses respiratórias. Algumas unidades já enfrentam superlotação. As UPAs já têm maior dificuldade em regular essa criança”, disse.

Medidas de prevenção

Em nota, a Sesab informou que acompanha diariamente os casos e óbitos por SRAG em todas as faixas etárias e monitora a circulação dos principais vírus respiratórios no estado.

Entre as medidas adotadas estão a atualização do Plano de Contingência para doenças respiratórias, a intensificação da vacinação contra influenza, VSR e Covid-19, o apoio à implementação do Nirsevimabe para proteção de bebês e a qualificação das equipes de vigilância epidemiológica.

Para a pediatra, a vacinação é a principal ferramenta para evitar casos graves. “Se estiver gestante, vacine. Se tiver condições de vacinar sua criança menor de 2 anos, vacine. Não visite um bebê se você tem qualquer sintoma, mesmo que mínimo. Não leve seu filho para a escola se ele estiver gripado e fique atento aos sinais de gravidade”, orientou.

Além da vacinação, especialistas recomendam a lavagem frequente das mãos, evitar aglomerações e reduzir o contato de recém-nascidos com pessoas que apresentem sintomas respiratórios.