Escrita pode ajudar a identificar declínio cognitivo, diz estudo

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1 de 1 Foto colorida de pessoa escrevendo em agenda - Metrópoles - Foto: Freepik

A maneira como uma pessoa escreve pode ajudar a revelar alterações no funcionamento do cérebro. Um estudo publicado nesta terça-feira (19/05) na revista científica Frontiers in Human Neuroscience identificou que idosos com comprometimento cognitivo apresentaram diferenças importantes na coordenação da escrita manual, principalmente durante tarefas mais complexas, como escrever frases ditadas.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Évora, em Portugal, e analisou 58 idosos institucionalizados, com idades entre 62 e 99 anos. Entre os participantes, 38 tinham comprometimento cognitivo e 20 eram considerados cognitivamente saudáveis.

Para avaliar os movimentos da escrita, os voluntários utilizaram uma caneta digital conectada a uma mesa digitalizadora. Durante os testes, precisaram desenhar linhas, fazer pontos, copiar frases e escrever sentenças ditadas verbalmente.

Segundo os pesquisadores, escrever exige uma combinação complexa de funções cerebrais. O cérebro precisa compreender a linguagem, acessar memória, planejar movimentos e coordenar os músculos da mão ao mesmo tempo.

Ditado foi a tarefa que mais mostrou diferenças

Os testes mais simples, como desenhar linhas e pontos, praticamente não apresentaram diferenças entre os grupos. Já as tarefas de ditado revelaram alterações importantes nos participantes com comprometimento cognitivo.

Durante o exercício, os idosos precisavam ouvir a frase, armazenar a informação temporariamente na memória e transformá-la em escrita manual quase simultaneamente.

Os pesquisadores observaram que participantes com alterações cognitivas levaram mais tempo para iniciar a escrita, fizeram mais movimentos para formar palavras e apresentaram traços menores e menos fluidos. Entre os padrões observados pelos cientistas estavam:

  • Maior lentidão para começar a escrever;
  • Aumento do número de movimentos para formar letras;
  • Pausas mais longas durante a escrita;
  • Traços menores;
  • Dificuldade para manter fluidez nos movimentos.

Os autores afirmam que funções como memória de trabalho, planejamento e controle executivo estão diretamente ligadas à organização da escrita manual.

Os pesquisadores destacam que os resultados ainda não permitem usar a escrita como ferramenta diagnóstica isolada para doenças neurodegenerativas. O estudo teve um número reduzido de participantes e avaliou apenas idosos institucionalizados.

Mesmo assim, os autores acreditam que a análise digital da escrita poderá, futuramente, auxiliar profissionais de saúde na identificação de alterações cognitivas de forma não invasiva e de baixo custo.

A pesquisa também reforça que mudanças sutis em atividades cotidianas podem refletir transformações importantes no funcionamento cerebral antes do surgimento de sintomas mais evidentes.